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26 abril 2010

Beatriz Preciado e o Pós-Pornô!



Nessa onda dos "pós e hiper" das mutações identitárias contemporâneas, surge uma voz que ecoa com o mesmo timbre de Judith Butler, o nome dela é Beatriz Preciado. Indicada pelo meu amigo de faculdade Linus, a intelectual da "teoria Queer" diz, em Multidões Queer (2003), que a guerra contra a normatização pode envolver postos de identidade, guerrilhas de identidade a partir de lugares de fala que resistem ao império da norma sexual. A autora reflete sobre uma nova composição de estratégias hiper-identitárias e pós-identitárias, totalmente performativas, que estão surgindo nos dias de hoje, como forma de resistência ao paradigma moderno dominante. O video abaixo, muito ao estilo de Gaspar Noé, se insere nesse proposta de Preciado...

23 janeiro 2010

Gilles Lipovetsky e a Hipermodernidade




Gilles Lipovetsky é um dos principais teóricos do mundo contemporâneo, e principais representantes  dos estudos sobre a cultura pós-moderna, baseada estruturalmente no predomínio do ultra-individual sobre o universal e na diversificação extrema da conduta e dos valores. O autor insere seu pensamento sobre campos dos mais diversos, arte, lazer, consumo, política, luxo, moda, etc.  Para o pensador, o homem hipermoderno está “fragilizado pelo medo em uma era de exageros”. Lipovetsky aponta o tempo presente por características específicas, o “fim das ideologias, o surgimento de uma nova cultura hedonista, o destino da comunicação e do consumo de massa, os sub-prazeres, o culto do corpo”. Todas essas realidades mostravam que havia um novo capitalismo e também um novo tempo da vida democrática. Segundo o autor, não havia o fim da modernidade, mas era possível identificar sua nova face. Para Lipovetsky, existem duas grandes razões para aceitarmos essa idéia de que não estamos em uma sociedade pós-moderna, mas em uma “outra modernidade”, ou mais exatamente em uma hipermodernidade, mais complexa, segregada e intensificada. A primeira é a dos princípios fundamentais constitutivos da modernidade – a valorização do indivíduo e da democracia, a valorização do mercado num segundo plano e em terceiro a valorização da tecnociência – não foram substituídos, apenas radicalizados. Não houve mais do que isso. Agora não há mais nenhum inimigo destes princípios. Portanto, não estamos mais em uma modernidade destruída, mas em um regime hiperbólico, superlativo, porque já não existe um “contra-modelo” ao que está posto. Até então existiam perspectivas nacionalistas, revolucionárias que propunham outros modelos. Hoje, não há outro modelo que não a democracia ou o mercado globalizado.

Livros públicados: Do Luxo Sagrado ao Luxo Democrático, Era do Vazio, A: Ensaios Sobre o Individualismo Contemporâneo; A Felicidade Paradoxal; O Império do Efêmero: a Moda e Seu Destino nas Sociedades Modernas; A Inquietude do Futuro: o tempo hiper-moderno; O Luxo Eterno: da Idade do Sagrado ao Tempo das Marcas; Metamorfoses da Cultura Liberal; A Sociedade da Decepção; A Sociedade Pós-Moralista; Os Tempos Hipermodernos; A Terceira Mulher.
  

07 janeiro 2010

Pierre Lévy e a Emergência do Cyberespaço



O espaço cibernético é hoje um lugar comum, onde está funcionando a sociedade. Sendo um lugar de interação humana e sobretudo para  o entendimento da nossa realidade cultural. O espaço cibernético é um campo de sociabilidades, entre as memórias informatizadas de todos os computadores e seus usuarios. Pierre Levy é um dos pensadores contemporâneos mais importantes a estudar esse assunto, em seu livro A Revolução Contemporânea em matéria de Comunicação, Lévy faz uma análise da evolução da humanidade, abordando o desenvolvimento da Internet e a digitalização da informação. "Ao criar o conceito de inteligência coletiva, Levy viu na rede mundial de computadores um espaço de aceleração da criação de conhecimento, um ambiente em que internautas livres, independentes das grandes corporações e das instituições tradicionais poderiam produzir conhecimento e tecnologia." “A internet aumenta as nossas capacidades cognitivas, tanto individuais quanto coletivas”, diz o filósofo. Em sua obra As Tecnologias da Inteligência o filósofo já argumentava que a informátização das coisas representava, para a linguagem humana, uma revolução comparável ao surgimento da escrita.  Levy acredita que caminhamos para uma nova linguagem dentro da rede. "O filósofo visualiza um ciberespaço em que será possível simular e representar a inteligência coletiva humana tal qual ela se desenvolve na sociedade offline. Quando isso acontecer, a inteligência coletiva online será o grande motor do desenvolvimento humano. Mais do que isso: quando o mundo intelectual humano for transposto para dentro da web, será possível compreender, afinal de contas, como exatamente funciona a difusão de idéias e a construção de conhecimento nas sociedades da atualidade.


                    
 
                               
 Algumas obras interessantes: Cybercultura, O que é o Virtual, Filosofia World: o mercado, o cyberspaço e a consciência...

03 janeiro 2010

O mal-estar em Zygmunt Bauman


O sociologo polonês é hoje a grande figura emblemática dos assuntos relacionados a sociedade do tempo presente e suas tensões. Em suas obras sobre pós-modernidade, e sobre globalização, Bauman destaca a metáfora do turista para ilustrar quem são os heróis e as vítimas do capitalismo flexível, afirmando que "a oposição entre os turistas e os mendigos é o principal sintoma da divisão na sociedade pós-moderna", uma sociedade marcada por um tempoespaço flexível, em mutação constante, onde o que vale é a habilidade de se mover em mais espaços possiveis com grande poder de consumo.


Bauman tem mais de dezesseis obras publicadas no Brasil,  dentre as quais posso destacar e recomendar: Amor Líquido, O Mal Estar na Pós-Modernidade, Medo Líquido, Amor Líquido, Vida para Consumo, Globalização: as consequências humanas, entre outras.


27 dezembro 2009

Jean Baudrillard e a sociedade simulacros



Jean Baudrillard é um dos principais teóricos na investigação da crise do mundo social contemporâneo, o pensador francês de 74 anos, recusa-se a falar em inglês, mesmo assim, é tão popular nos Estados Unidos por causa de suas análises sobre a cultura de massa que foi convidado a fazer um show de filosofia em Las Vegas. Convite recusado. Porém sua fama se deu através dos irmãos Wachowski, diretores de Matrix. No filme o hacker Neo (Keanu Reeves) guarda seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard. Na época de sua produção Keanu leu o livro e costuma mencionar o autor em todas as suas entrevistas sobre Matrix. Até porque o ensaio sobre como os meios de comunicação de massa produzem a realidade virtual inspirou os diretores de Matrix a criar o roteiro. Baudrillard não parece ligar para a fama. Ele esteve no Brasil para lançar seu novo livro, Power Inferno, e participar da conferência 'A Subjetividade na Cultura Digital', na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.


Sobre a teoria do simulacro....

Jean Baudrillard aponta que a realidade, como a experienciamos já não existe, e vivemos um permanente e conspiratório espetáculo de mídia, assim, o pensador exerce a função de "entertainer" às avessas. Ele decreta o fim dos tempos, e todo mundo vibra. Suas obras atuam sobre a era da imagem, do virtual, da extinção das verdades, da crise dos paradigmas modernos.

Sobre a pós-modernidade...

Para Baudrillard, o resultado de um consumo rápido e maciço de idéias só pode ser redutor. Há um mal-entendido em relação a meu pensamento. Citam meus conceitos de modo irracional. Hoje o pensamento é tratado de forma irresponsável. Tudo é efeito especial. Veja o conceito de pós-modernidade. Ele não existe, mas o mundo inteiro o usa com a maior familiaridade.  Para o autor, A arte se integrou ao ciclo da banalidade. Ela voltou a ser realista, a desejar a restituição da reprodução clássica. A arte quer cumplicidade do público e gozar de um status especial de culto, situação prefigurada nas sinfonias de Gustav Mahler. Claro que há exceções, mas, em geral, os artistas se renderam à realidade tecnológica. Desde os readymades de Marcel Duchamp, a importância da arte diminuiu, porque a obra de arte deixou de ter um valor em si. Os signos soterraram a singularidade.


Obras publicadas: América, As estratégias fatais, À sombra das maiorias silenciosas, A sociedade de consumo, A transparência do Mal: ensaio sobre os fenômenos extremos, A troca impossível, A troca simbólica e a morte, A violência do mundo, Cool memories (série de quatro livros com ensaios), De um fragmento ao outro, Estação liberdade, Ilusão Vital, O anjo de estuque, O crime perfeito, O espírito do terrorismo, O paroxista indiferente, O sistema dos objetos, Palavras de ordem, Para uma crítica da economia política do signo, Power inferno, Relógio d'água, Senhas, Simulacros e simulação, Tela total: Mitos-ironias da era virtual e imagem, Telemorfose.


(trechos retirados originalmente da entrevista concedida a revista Época)